Como o mundo é escroto. Como as pessoas são ridículas.
Faz muito tempo que sei disso, faz muito tempo que quero dizer isso à alguém. Na verdade todo mundo já deve saber. E nem deve se incomodar inclusive.
Como as pessoas são previsíveis. Cadê a espontaneidade delas? Procuro até hoje um alguém, alguma esperança de que exista alguém que não funcione assim. Que não seja previsível. Despresível.
A vida parece um joguinho. Você faz a coisa que deve fazer. E ganha o que quer ganhar. Mas normalmente você tem que fazer coisas que nem gostaria de fazer só para ter o que quer.
Falo de reconhecimento, atenção, gratidão. Me custa acreditar que isso seja da natureza humana. Porque se eu não sou assim, podem existir mais pessoas que não são.
Essas pessoas de que falo precisam de desprezo para aí sim, tirar as suas bundas gordas para fazer alguma coisa ou demonstrar algum sentimento. Isso é tão óbvio e tão nojento.
É um jogo tão fácil de jogar. E que eu vivo a minha vida tentando não jogar.
Gostoso é quando acontece naturalmente, sem que eu precise “fazer oque eu tenho que fazer”. Que gostoso que foi olhar para os olhos dele e não sentir nada. Nem sequer pena. Não tinha nem vontade de fazer sexo. Eis que então eu me transformei em uma pessoa querida, amada. Mesmo não sendo nada.
Isso tudo porque eu não estou dando a mínima. Não para jogar e conseguir algo. Mas porque eu prefiro me entreter com coisas que me deixem feliz. Não me importo com os outros. Faço o que for preciso para conservar minha integridade mental. Acho até que eu nem deveria ter me reencontrado. A distancia era confortável. Embora eu goste de fazer as coisas para saber o que eu sentiria se as fizesse. Como eu disse, tudo pela minha integridade mental.
Ninguém sequer imagina o que um sentimento pode fazer comigo. Como eles podem destruir a minha vida. Como eles acabam com minhas noites, meus dias, minha alma. Minha própria consciencia cansada de tanta dor já sabe disso e elabora mecanismos de defesa espetaculares para que minha paz não seja afetada. Inclusive é deste modo que aquele sorriso me fez acordar todos esses dias. Nos últimos 2 meses. É ao seu sorriso que eu devo minha paz. E a mim mesmo claro, por conseguir inventar toda essa mentira, e enganar tão bem eu mesma.
Eu sempre saio de mim mesma e me pergunto porque eu estou fazendo determinadas coisas. Eu sempre sei porque eu faço as coisas. Mas as vezes eu tenho que esconder de eu mesma. Para mim, comparado a dor de ser o que eu sou, os fins justificam os meios sim.
Todos precisam de heróis. Eu invento todos os meus.
Meu sorriso me desejou um “feliz dia do amigo”. E eu errei em querer desejar à alguém que nem é meu amigo. Acho até que nunca foi. Sempre pensei que talvez nossa amizade fosse mais uma das minhas mentiras tão bem contadas.